Vista de cima de uma mala aberta e arrumada, com uma bolsa térmica contendo um vial num dos compartimentos, e documentos ao lado de fora.

A viagem está marcada, o vial está na geladeira e a dúvida chega dois dias antes do voo. O que muda de um voo para outro é quem manda: a Anvisa, a ANAC ou a companhia aérea.

Voo dentro do Brasil: quem decide o que você leva

Em voo doméstico, com medicamento fora das listas de controle especial, quem decide o embarque é a companhia aérea. As exigências variam, e a própria ANAC registra que "algumas empresas aéreas são mais restritivas que a regulamentação vigente".

Para o que está nas listas de controle especial, a Anvisa manda apreender o que for transportado "sem documento hábil", sem definir o termo em nenhum artigo. O único documento que ela exige por escrito de quem viaja é a cópia da prescrição na viagem internacional.

Caneta GLP-1 e peptídeo manipulado caem em regimes diferentes

As canetas de semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida não estão nas listas de controle especial. Desde 23 de junho de 2025 são de venda sob prescrição com retenção de receita, válida por 90 dias da emissão.

Com peptídeo manipulado, quem manda é a substância. Se ela estiver em uma das listas da Portaria 344/98, como a C5, você precisa levar a cópia da receita na viagem internacional, e sem documento o material pode ser apreendido. O nome da substância na receita diz em qual dos dois regimes você está.

Voo internacional: líquidos, 100 ml e a exceção para medicamento

A ANAC limita líquidos a frascos de até 100 ml em voo internacional, e abre exceção para medicamento com receita. O limite vale para a capacidade do frasco, então frasco maior não passa nem parcialmente cheio. Todos precisam caber em uma embalagem plástica transparente que feche, de até 1 litro. A regra vale também nas etapas domésticas de um voo internacional e na sala de embarque internacional.

A exceção cobre "os artigos medicamentosos com a devida prescrição médica", na quantidade necessária ao período total do voo, incluindo escalas. É a prescrição que tira o seu medicamento do limite de 100 ml, e a norma manda apresentar os itens na inspeção: leve a receita junto.

Na saída do país com medicamento de controle especial, a Anvisa veda o transporte por pessoa física, na chegada ou na saída em viagem internacional, sem a devida cópia da prescrição médica. A validade é de 30 dias nas duas receitas, e as duas valem em todo o país: a Receita de Controle Especial das listas C1 e C5 sempre teve alcance nacional, e a Notificação de Receita "B" passou a ter em fevereiro de 2026. Confira a data de emissão: a receita que serviu para comprar pode já ter vencido para viajar.

Ilustração de uma bandeja de inspeção de aeroporto numa esteira, com um saco plástico transparente contendo frascos pequenos e um vial, ao lado de um documento.

Voltar ao Brasil com medicamento: o que a Anvisa pode pedir

Na volta, a autoridade sanitária pode conferir a prescrição. Desde 2011, a bagagem do viajante está dispensada de autorização prévia para medicamento de uso próprio, com uma exceção: os que têm substância de controle especial.

A página "Regras de bagagem" da Anvisa diz que a prescrição "poderá ser solicitada" quando a quantidade não for compatível com a estada.

Bolsa térmica, gelo seco e gel: o que pode ir no avião

A norma de boas práticas de distribuição, armazenagem e transporte de medicamentos, que é onde mora a cadeia de frio, se dirige às empresas. Para a bolsa que vai na sua mão, quem responde é a companhia aérea.

O gelo seco tem regra escrita. A ANAC permite até 2,5 kg por pessoa, nas duas bagagens, desde que ele embale produto perecível que não seja artigo perigoso e o volume permita a liberação do dióxido de carbono. Se despachado, cada volume vai marcado como "GELO SECO" ou "DIÓXIDO DE CARBONO, SÓLIDO", com o peso líquido ou a indicação de que ele é de 2,5 kg ou menos. A companhia precisa autorizar antes do voo.

Bolsa térmica com gelo em gel não aparece na lista de artigos perigosos da ANAC. No trecho internacional o gel entra no limite de 100 ml, e a norma não diz se a bolsa que acompanha medicamento prescrito cabe na exceção. Isso varia por companhia; pergunte antes de comprar.

O que levar na bagagem de mão

Ilustração de mãos guardando um documento no bolso de uma mochila azul, com uma bolsa térmica no compartimento principal.
  • O medicamento na embalagem original. A Anvisa só veda produto sem identificação na embalagem quando ele chega por remessa expressa, postal ou encomenda aérea internacional. Na bagagem de mão é a caixa que identifica o produto na inspeção.

  • A receita no seu nome. A Anvisa já não descreve o que a receita do viajante precisa trazer. Para medicamento de controle especial, vale a cópia da prescrição exigida na viagem internacional.

  • Quantidade compatível com a viagem. A página "Regras de bagagem" pede quantidade compatível com uso pessoal e com as circunstâncias da viagem.

  • Os medicamentos separados do resto da bagagem de mão. É o que permite pedir a inspeção por procedimento diferenciado.

  • O seu histórico. Quanto sobrou em cada vial, desde quando ele está preparado e onde foi a última aplicação. Norma nenhuma pede isso, e é o que costuma faltar.

Perguntas frequentes

Preciso de receita para levar medicamento em voo dentro do Brasil?

Para medicamento de controle especial, a Anvisa prevê apreensão do que for transportado sem documento hábil. Para os demais, a exigência vem da companhia aérea.

Levar seringa no avião exige receita?

A ANAC não nomeia seringa nem agulha na lista de itens proibidos: a categoria de objetos pontiagudos ou cortantes relaciona lâminas. A lista avisa que não é exaustiva, e o agente de proteção da aviação civil pode barrar item que não esteja nela. A decisão final é da empresa aérea ou desse agente.

Dá para pedir que o medicamento não passe pelo raio-X?

Dá. A ANAC prevê inspeção por procedimento diferenciado, sem raios-X nem detector de metais: por detector de traços de explosivo e, na indisponibilidade do equipamento, por inspeção manual. Manifeste-se antes do início da inspeção e entregue os medicamentos separados.

O último item daquela lista só existe se alguém tiver anotado. No PepControl, cada aplicação registrada desconta a dose do vial e marca o ponto no mapa, e o estoque mostra quanto sobrou em cada vial e há quantos dias ele foi preparado. O histórico sai em PDF, no período que você escolher. Para conhecer o PepControl, comece por aqui.

Onde isso está escrito

  • Anvisa, Portaria SVS/MS nº 344/1998: listas de controle especial; apreensão sem documento hábil (Art. 33); cópia da prescrição em viagem internacional (Art. 32, § 2º); validade das receitas (Arts. 45 e 52).

  • Anvisa, RDC nº 1.000/2025: em vigor desde 13/2/2026, deu à Notificação de Receita "B" validade nacional de 30 dias (Art. 45).

  • Anvisa, RDC nº 471/2021, RDC nº 973/2025 e IN nº 360/2025: retenção de receita para semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida desde 23/6/2025, válida por 90 dias.

  • Anvisa, RDC nº 81/2008, na redação da RDC nº 28/2011: bagagem do viajante (Cap. XII, itens 1 e 1.3); embalagem original em remessa postal ou aérea (item 3.2).

  • Anvisa, RDC nº 430/2020: boas práticas de distribuição, armazenagem e transporte, dirigidas às empresas (Art. 2º).

  • Anvisa, página "Regras de bagagem": quantidade compatível com a estada.

  • ANAC, Resolução nº 515/2019, art. 4º, na redação da Resolução nº 551/2020: 100 ml para líquidos e exceção para medicamento com prescrição (§ 2º); Anexo I, lista não exaustiva.

  • ANAC, Instrução Suplementar nº 175-001, Revisão M, Tabela H-1, item 18: gelo seco, 2,5 kg por pessoa, com aprovação do operador aéreo.

  • ANAC, Portaria nº 1155/SIA, de 2015: inspeção por procedimento diferenciado para medicamentos.

  • ANAC, página "O que posso transportar?", atualizada em 01/09/2025: empresas podem ser mais restritivas que a norma.

O PepControl é uma ferramenta de organização pessoal. Não é serviço médico, não recomenda doses, não prescreve protocolos e não substitui acompanhamento profissional.

Compartilhe este artigo

Onde você anota isso hoje?

O PepControl registra o que você aplicou, quando e onde, e desconta a dose do vial. Você anota, ele organiza.

Conhecer o PepControl
João, criador do PepControl

Sobre o Autor

João, criador do PepControl

Criei o PepControl para resolver o meu próprio problema de controle: eu usava peptídeos e vivia perdendo a conta de onde tinha aplicado e de quanto restava no vial. Aqui escrevo sobre a parte prática dessa rotina, não sobre o que você deve fazer.

Posts Recomendados