Na caixa do Ozempic há dois nomes: Ozempic, em letra grande, e semaglutida, logo abaixo. Os dois foram dados por gente diferente, seguem regras diferentes e valem em territórios diferentes. É por isso que o nome comercial de um remédio pode mudar de país para país e de fabricante para fabricante, enquanto o nome da molécula continua igual em qualquer caixa. O Ozempic é exemplo do nome que fica: a marca é uma só, no mundo inteiro.
Semaglutida: o nome da substância vem da OMS e vale no mundo inteiro
O nome da molécula tem dono público. A Organização Mundial da Saúde mantém o programa das Denominações Comuns Internacionais, as DCI, e escolhe um nome único para cada substância que vai virar medicamento, reconhecido no mundo inteiro e de propriedade pública.
No Brasil, quem cuida do nome da molécula é a ANVISA, pela lista das Denominações Comuns Brasileiras, as DCB. As regras da lista brasileira, sempre que possível, convergem com as da OMS: o nome segue a grafia e a fonética do português do Brasil e é, de preferência, uma tradução do nome em inglês adotado pela DCI. É assim que "semaglutide" vira "semaglutida" e "tirzepatide" vira "tirzepatida".
A DCB é de domínio público e obrigatória na rotulagem, na bula, na propaganda, na prescrição e na dispensação.
Ozempic: o nome comercial é escolha do fabricante, dentro das regras da ANVISA
A marca funciona ao contrário. Quem escolhe o nome comercial é a empresa, e a ANVISA avalia a escolha com uma regra própria para nomes de medicamentos. Dois critérios são locais por natureza: a pronúncia pretendida em português precisa ter relação direta com a grafia, e o nome precisa guardar distinção gráfica e fonética dos nomes já registrados.
Uma regra liga as duas metades da caixa: o nome comercial não pode usar os sufixos da denominação comum da classe, nem um pedaço da denominação comum de um princípio ativo que não está na fórmula.
Essa regra de nomes deixa de fora o medicamento genérico. Entre os registros de semaglutida de 2026, os dois da categoria genérico chamam-se apenas "Semaglutida", enquanto os produtos das categorias novo e similar receberam marcas próprias. A chegada da semaglutida de fabricação nacional já tem artigo próprio aqui.

Por que a marca Mounjaro vale país a país e a tirzepatida vale no mundo inteiro
A marca é territorial. A lei brasileira de propriedade industrial diz que a propriedade da marca se adquire pelo registro e garante ao titular o uso exclusivo em todo o território nacional. O Manual de Marcas do INPI resume: a proteção não ultrapassa os limites do país.
A marca vale onde foi registrada, e cada país tem o próprio registro e as próprias regras de nome. A escolha é da empresa: a mesma marca em cada país, ou outra. Um nome livre no Brasil pode já pertencer a outra empresa em outro país, pode reprovar nos critérios da agência de lá, ou o fabricante pode preferir uma marca para cada indicação aprovada.
Mounjaro e Zepbound: a tirzepatida com dois nomes nos Estados Unidos
O exemplo mais claro está nos Estados Unidos. A tirzepatida foi aprovada pela agência americana sob a marca Mounjaro em maio de 2022, pela Eli Lilly. Em novembro de 2023 a mesma agência aprovou a mesma tirzepatida sob uma segunda marca, Zepbound, para uma indicação aprovada distinta. O FDA registrou, na aprovação do Zepbound, que o ingrediente ativo já era aprovado sob o nome comercial Mounjaro para adultos com diabetes tipo 2.
No Brasil o registro tem um nome só. Há dois produtos com tirzepatida, Mounjaro e Mounjaro Multidose, ambos da Eli Lilly do Brasil e ambos na categoria "novo". Nenhum registro brasileiro traz o nome Zepbound.
Ozempic, Wegovy e Rybelsus: um nome de substância, várias marcas
A semaglutida mostra o outro lado do fenômeno: nomes diferentes no mesmo país. Ozempic, Wegovy e Rybelsus são três marcas da Novo Nordisk com a mesma molécula, registradas na ANVISA como produtos biológicos distintos. A diferença entre Ozempic e Wegovy já foi explicada aqui. Em 2026 os dados abertos da ANVISA passaram a listar a semaglutida em quatro categorias regulatórias, de oito empresas: cinco biológicos, seis novos, dois genéricos e dois similares. Cada marca tem o próprio nome, os genéricos levam só o nome da molécula, e a palavra semaglutida está em todas as caixas.
A liraglutida seguiu o mesmo caminho antes, com Victoza e Saxenda como marcas da mesma molécula. E o fenômeno é mais velho que as canetas: entre as marcas de paracetamol registradas na ANVISA está o Tylenol, da Kenvue, enquanto no Reino Unido a marca da Haleon para a mesma substância é Panadol, nome que não aparece entre os registros brasileiros.

Semaglutida ou Ozempic: qual nome anotar
Juntando as peças: a OMS dá o nome da molécula, a ANVISA o traduz e o torna obrigatório em toda caixa, o fabricante escolhe a marca dentro das regras da agência, e o INPI registra essa marca com validade dentro do país. A marca pode mudar conforme o fabricante, a indicação e o país. O nome da substância atravessa tudo isso sem mudar.
A consequência prática cabe em uma frase: anote pelo nome da molécula, mesmo quando a caixa trouxer outro nome. O nome comercial muda de fabricante e de país, e um registro precisa continuar legível daqui a um ano. No PepControl, o cadastro é livre: você dá o nome e escolhe a cor, uma vez, e o nome da molécula é o que segue legível quando a caixa muda.
Perguntas frequentes
Quais são os nomes comerciais do Ozempic?
Ozempic é uma marca só, da Novo Nordisk, registrada na ANVISA com esse nome. A molécula dele, a semaglutida, aparece em outros produtos e marcas: Wegovy e Rybelsus, do mesmo fabricante, e, desde 2026, marcas de outras empresas.
O Ozempic mudou de nome?
Não. O registro do Ozempic (semaglutida) continua ativo com esse mesmo nome desde 2018. O que costuma dar a impressão de troca é a chegada de outras caixas com a mesma molécula e marcas diferentes.
Qual é o nome da substância do Ozempic?
Semaglutida. É a Denominação Comum Brasileira, que a ANVISA define a partir da DCI da OMS e obriga a imprimir na caixa e na bula, ao lado da marca.
Por que o Mounjaro tem outro nome nos Estados Unidos?
Nos Estados Unidos a tirzepatida tem duas marcas do mesmo fabricante: Mounjaro, aprovada pelo FDA em 2022, e Zepbound, aprovada em 2023. Cada marca cobre uma indicação aprovada. No Brasil, a ANVISA registra a tirzepatida apenas como Mounjaro.
Quem dá o nome a um remédio?
Dois nomes, quatro mãos. A OMS escolhe o nome da molécula, a DCI, único no mundo. A ANVISA o adapta ao português na lista das DCB e o torna obrigatório em toda caixa. O fabricante escolhe o nome comercial, dentro das regras da ANVISA. E o INPI registra esse nome como marca, com validade dentro do território brasileiro.
Onde isso está escrito
OMS: página oficial do programa International Nonproprietary Names (INN).
ANVISA: RDC nº 955/2024, regras para as Denominações Comuns Brasileiras (DCB), art. 3º, 4º, 10 e 15.
ANVISA: RDC nº 59/2014, nomes dos medicamentos, seus complementos e famílias (art. 3º, 7º, 15 e 18).
Lei nº 9.279/1996 (Lei da Propriedade Industrial), art. 122, 123 e 129; Manual de Marcas do INPI, item 2.4.1, territorialidade.
FDA: Drugs@FDA, NDA 215866 (Mounjaro, aprovação em 13/05/2022) e NDA 217806 (Zepbound, aprovação em 08/11/2023); comunicado do FDA de 08/11/2023.
ANVISA: dados abertos de medicamentos, consulta em setembro de 2026, registros de tirzepatida, semaglutida, liraglutida e paracetamol.
Haleon: site oficial do Panadol no Reino Unido.
O PepControl é uma ferramenta de organização pessoal. Não é serviço médico, não recomenda doses, não prescreve protocolos e não substitui acompanhamento profissional.
