Alguns peptídeos têm registro de medicamento na ANVISA há décadas; outros, como o BPC-157, não têm registro em categoria nenhuma, segundo a própria agência. Situação conferida em 24/09/2026 na base de medicamentos que a ANVISA publica em dados abertos e na nota de checagem que a agência publicou em 02/07/2026.
A resposta muda de molécula para molécula e também de regime: medicamento, suplemento alimentar, cosmético ou alimento. Uma molécula com registro de medicamento não empresta esse registro a outra, nem a um produto de outro regime que use o mesmo nome.
Como ler o status de um peptídeo na ANVISA
A base de medicamentos lista cada registro com o nome comercial, a empresa, o princípio ativo, que é o nome da molécula, e a situação. A busca que responde à pergunta é pelo princípio ativo: o nome na caixa muda de uma empresa para outra, e a molécula continua a mesma.
A base marca o registro como Ativo e não informa se o produto está à venda. Ela também guarda o que saiu de cena: a ocitocina, por exemplo, aparece num registro de 1982 que hoje consta como Inativo. Nas listas abaixo, o ano ao lado de cada molécula é o do registro ativo mais antigo dela na base.
Cada registro traz ainda uma categoria regulatória. Pela lei dos genéricos, Similar e Genérico tomam como base um medicamento de referência já registrado: o Similar leva nome comercial, e o Genérico, o nome oficial da molécula. Biológico é a categoria dos produtos de origem biológica, que seguem norma própria da ANVISA. Novo aparece também em registros recentes de outras empresas para moléculas já conhecidas, como a semaglutida em 2026.
BPC-157, TB-500 e outros nomes sem registro
Na nota "Checamos" de 02/07/2026, a ANVISA tratou de peptídeos injetáveis que circulam na internet e informou que esses produtos não estão regularizados em nenhuma categoria: alimento, medicamento, cosmético ou suplemento alimentar. A nota cita cinco nomes, e nenhum deles aparece na base de medicamentos, nem como registro inativo.
BPC-157: sem registro. Sem autorização como suplemento e, até a data da nota, sem pedido de empresa para isso.
TB-500: sem registro. Sem autorização como suplemento e, até a data da nota, sem pedido de empresa para isso.
GHK-Cu: sem registro.
CJC-1295: sem registro.
Ipamorelina: sem registro.
Retatrutida: fora da nota da ANVISA e sem nenhum registro na base de medicamentos.

Canetas emagrecedoras com registro na ANVISA
As moléculas das canetas emagrecedoras têm registro de medicamento, e a própria nota de julho cita a semaglutida e a tirzepatida como medicamentos regularizados. Uma linha por molécula, com a marca mais conhecida ao lado:
Semaglutida (Ozempic e outros nomes): 15 registros ativos, desde 2018, o primeiro na categoria Biológico. Em 2026 entraram os primeiros de outras empresas, nas categorias Novo, Similar e Genérico.
Liraglutida (Victoza e outros nomes): 8 registros ativos, um deles associado à insulina, desde 2010. Os da categoria Genérico são de 2026.
Dulaglutida (Trulicity): 1 registro ativo, na categoria Biológico, desde 2015.
Tirzepatida (Mounjaro): 2 registros ativos, os dois na categoria Novo, desde 2023.
Outros peptídeos com registro ativo: alguns exemplos
Fora das canetas, a base tem peptídeos registrados há décadas. Seis exemplos: três hormônios peptídicos conhecidos e três moléculas de outras áreas da medicina.
Insulina humana: registros ativos quase todos na categoria Biológico, desde 1992.
Ocitocina: registros ativos nas categorias Similar, Genérico e Novo, desde 1990.
Glucagon: um registro ativo, na categoria Similar, desde 1998.
Octreotida: registros ativos nas categorias Novo, Similar e Genérico, desde 1995.
Leuprorrelina: registros ativos nas categorias Novo e Similar, desde 2006.
Teriparatida: registros ativos na categoria Biológico, desde 2003. O mais recente é de junho de 2026.

Medicamento, suplemento ou cosmético: o regime muda a resposta
O mesmo nome pode ter situação diferente em cada regime. Três pontos, segundo a ANVISA:
Suplemento alimentar. A categoria é restrita ao uso oral, e uma substância só entra na lista de constituintes autorizados depois de pedido de uma empresa, com as informações técnicas.
Cosmético. Segundo a nota, não existe cosmético injetável, e produto oferecido dessa forma é cosmético irregular. Produto injetável que se apresenta como GHK-Cu, portanto, também não se enquadra como cosmético.
Colágeno. O colágeno para suplementar a alimentação se regulariza como suplemento alimentar, e os peptídeos bioativos de colágeno estão entre os constituintes autorizados nessa categoria.
Perguntas frequentes
Peptídeos têm registro na ANVISA?
Alguns têm, como medicamento: insulina humana, ocitocina, teriparatida e as moléculas das canetas emagrecedoras, entre outros. Outros, como BPC-157 e TB-500, estão sem registro em nenhuma categoria, segundo a ANVISA.
Peptídeos injetáveis têm autorização da ANVISA?
Os que têm registro de medicamento têm, cada um pelo seu produto. A nota da ANVISA de julho de 2026 lembra que suplemento alimentar só existe para uso oral e que não existe cosmético injetável.
BPC-157 e TB-500 são regulamentados no Brasil?
Não. A ANVISA informou, em nota de 02/07/2026, que os produtos com esses nomes não têm registro de medicamento nem autorização como suplemento, e que até aquela data nenhuma empresa tinha pedido a regularização deles como suplemento alimentar.
Que peptídeos a ANVISA apontou como sem registro?
Na nota de 02/07/2026, a agência citou pelo nome GHK-Cu, BPC-157, TB-500, CJC-1295 e ipamorelina.
O que são os peptídeos que as pessoas usam?
Pela definição da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, peptídeo é uma cadeia de aminoácidos unidos por ligações peptídicas. A palavra cobre de hormônio com registro há décadas, como a insulina, a nome sem registro nenhum.
Um status que muda com o tempo
A situação sanitária de uma molécula muda. Só em 2026, a semaglutida ganhou registros de outras empresas em três categorias, e a teriparatida ganhou, em junho, o registro de mais uma empresa. Quem anota o que aplica pelo nome da molécula e pela data mantém um histórico legível mesmo quando o nome na caixa muda. No PepControl, você cadastra cada peptídeo pelo nome que escolher, como tirzepatida, e por uma cor, e o histórico guarda esse nome com a data e a hora de cada aplicação. Conheça o PepControl.
Onde isso está escrito
ANVISA, Dados Abertos: base de medicamentos registrados (arquivo DADOS_ABERTOS_MEDICAMENTOS), baixada em 24/09/2026, com atualização do servidor no mesmo dia.
ANVISA, nota "Checamos: peptídeos que prometem milagres NÃO estão registrados na Anvisa", publicada em 02/07/2026 e consultada em 24/09/2026. Seções Alimento, Medicamento e Cosmético.
ANVISA, Instrução Normativa nº 28/2018, citada pela nota como a norma da lista de constituintes autorizados para suplementos alimentares.
ANVISA, Gerência-Geral de Alimentos, Perguntas e Respostas sobre Suplementos Alimentares, 9ª edição, de 16/01/2025, perguntas 18 e 79, consultado em 24/09/2026.
Lei nº 9.787/1999, a lei dos genéricos: definições de medicamento similar, genérico e de referência.
ANVISA, RDC nº 55/2010, sobre o registro de produtos biológicos.
National Library of Medicine (EUA), MeSH, descritor Peptides (D010455), consultado em 24/09/2026.
O PepControl é uma ferramenta de organização pessoal. Não é serviço médico, não recomenda doses, não prescreve protocolos e não substitui acompanhamento profissional.
