O Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, molécula da Eli Lilly and Company. Ela foi apresentada numa revista científica em 2018 por uma equipe da empresa, com Tamer Coskun como primeiro autor, e já estava em teste com pessoas desde maio de 2016. A ideia por trás dela, uma molécula só agindo nos receptores de dois hormônios do intestino, aparece em documentos publicados desde 2011; em 2013, Brian Finan, Richard DiMarchi, Matthias Tschöp e colegas publicaram um peptídeo desse tipo com dados em humanos. A FDA aprovou o Mounjaro em 2022, e a ANVISA o registrou em 2023.
2013: dois sinais do intestino numa molécula só
Depois de uma refeição, o intestino libera dois hormônios chamados incretinas, o GIP e o GLP-1, e cada um tem o seu receptor. A pergunta de alguns grupos de pesquisa era se um peptídeo único conseguiria acionar os dois receptores. Pedidos de patente publicados a partir de 2011 já descreviam peptídeos com essa dupla ação.
Em 30 de outubro de 2013, a revista Science Translational Medicine publicou um peptídeo desse tipo, com dados em roedores, em macacos e em humanos. O primeiro autor, Brian Finan, estava no Helmholtz Zentrum München, na Alemanha, e os dois últimos nomes da lista são Richard DiMarchi e Matthias Tschöp. A sequência intercala trechos do GLP-1 e do GIP, numa combinação diferente da que a tirzepatida viria a ter. Até ali, o GIP tinha passado muito tempo em segundo plano na pesquisa de medicamentos, história contada em o que é o hormônio GIP e de onde ele vem.

LY3298176: o nome da tirzepatida antes do nome
Dentro da Lilly, a molécula que viraria o Mounjaro tinha um código: LY3298176. É assim, com letras e números, que um composto em desenvolvimento circula até ganhar nome oficial.
O código está no título do artigo que apresentou a molécula, publicado em 2018 na revista Molecular Metabolism, com Tamer Coskun como primeiro autor. Dos 16 autores, 15 estavam na Eli Lilly and Company e um na Duke University. Nenhum nome dessa lista se repete entre os autores do artigo de 2013. A Lilly é uma empresa dos Estados Unidos, e o país de cada caneta tem resposta em de que país são as canetas.
A molécula é mais antiga que o artigo. O próprio texto de 2018 registra que o primeiro estudo em pessoas com a LY3298176 correu de 11 de maio de 2016 a 26 de junho de 2017.
O artigo descreve a LY3298176 como um agonista duplo dos receptores de GIP e de GLP-1 "baseado no GIP": a sequência parte do GIP e leva um fragmento de diácido graxo de 20 carbonos na lisina da posição 20.
A ideia de 2013 e a molécula de 2018
O artigo da Lilly cita o de 2013 entre os trabalhos anteriores com coagonistas de GIP e GLP-1 e chama a LY3298176 de molécula nova. São dois trabalhos paralelos sobre a mesma ideia: o conceito tem autores citados em fonte primária, e a tirzepatida é da Lilly.
O peptídeo de 2013 intercala trechos dos dois hormônios; o de 2018 parte do GIP. A tirzepatida é descrita como agonista dos receptores de GIP e de GLP-1 porque age nos dois, o que a equipe da Lilly mediu em ensaios com células e com camundongos sem um ou outro receptor.
2018: tirzepatida na lista de nomes da OMS
O nome veio no mesmo ano. Em 19 de julho de 2018, a Organização Mundial da Saúde publicou a Lista 119 de Denominações Comuns Internacionais propostas, na revista WHO Drug Information. Lá estava "tirzepatide", com as formas em latim, francês e espanhol, esta última "tirzepatida". O verbete traz a sequência de aminoácidos, a fórmula química e a descrição de uso "antidiabético", e não cita a Lilly nem o código.
Quando o artigo de Coskun chegou à revista, em 10 de setembro, o nome já estava proposto havia quase dois meses, e o título seguiu com LY3298176. Em 2019, tirzepatida passou à Lista 81, a de nomes recomendados.

Quando o Mounjaro foi aprovado: FDA em 2022, ANVISA em 2023
A FDA, agência de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou o Mounjaro em 13 de maio de 2022, seis anos depois do início do primeiro estudo em pessoas. No Brasil, o registro na ANVISA é de 25 de setembro de 2023, em nome da Eli Lilly do Brasil. O que esse registro cobre está em o que é o Mounjaro.
Então, quem inventou o Mounjaro?
Ninguém sozinho. A ideia de uma molécula única para os receptores das duas incretinas aparece em documentos publicados desde 2011, e em 2013 Finan, DiMarchi, Tschöp e colegas publicaram um peptídeo desse tipo com dados em humanos. A tirzepatida é da equipe da Lilly, que a testou em pessoas a partir de 2016 e a apresentou em 2018, com Coskun como primeiro autor. O nome é da OMS, e a marca Mounjaro é da Lilly.
Em datas:
30/10/2013: artigo de Finan, DiMarchi, Tschöp e colegas.
11/05/2016: começa o primeiro estudo em pessoas com a LY3298176.
19/07/2018: a OMS propõe o nome tirzepatida.
2019: tirzepatida entra na lista de nomes recomendados.
13/05/2022: aprovação do Mounjaro pela FDA.
25/09/2023: registro do Mounjaro na ANVISA.
Perguntas frequentes
Qual laboratório criou o Mounjaro?
A Eli Lilly and Company. A tirzepatida foi apresentada em 2018 por uma equipe da empresa, e no Brasil o registro está em nome da Eli Lilly do Brasil.
Quando a tirzepatida foi criada?
A molécula já existia em maio de 2016, quando começou o primeiro estudo em pessoas com o código LY3298176, segundo o artigo que a apresentou em 2018. O nome tirzepatida foi proposto pela OMS em 19 de julho de 2018.
Como descobriram a tirzepatida?
A equipe da Lilly partiu da ideia de juntar numa molécula só a ação sobre os receptores do GIP e do GLP-1, construiu a sequência a partir do GIP e descreveu o percurso no artigo de 2018.
Quando o Mounjaro foi aprovado no Brasil?
A ANVISA registrou o Mounjaro em 25 de setembro de 2023. Nos Estados Unidos, a aprovação da FDA é de 13 de maio de 2022.
As datas que ficam com quem usa
A tirzepatida tem as datas das agências. A rotina de quem usa tem só as datas que a própria pessoa anota. Se você registra as suas aplicações, o PepControl guarda cada uma com o dia e o ponto no mapa do corpo, e o histórico pode ser exportado em PDF. Qualquer peptídeo entra pelo nome que você der, com uma cor sua. Como o nome é você quem escreve, vale usar o da molécula, que é um só no mundo: é ele que mantém o registro legível quando a caixa muda.
Onde isso está escrito
Pedido de patente WO 2011/119657, publicado em 2011.
Finan B e colaboradores. Science Translational Medicine, 2013, vol. 5, 209ra151.
Coskun T e colaboradores. Molecular Metabolism, 2018, vol. 18, p. 3 a 14.
OMS, WHO Drug Information, vol. 32, n. 2, 2018: Lista 119 de Denominações Comuns Internacionais propostas.
OMS, WHO Drug Information, vol. 33, n. 1, 2019: Lista 81 de Denominações Comuns Internacionais recomendadas.
FDA, Drugs@FDA: Mounjaro, NDA 215866, aprovação de 13/05/2022.
ANVISA, dados abertos de medicamentos registrados: Mounjaro, consulta em 21/09/2026.
O PepControl é uma ferramenta de organização pessoal. Não é serviço médico, não recomenda doses, não prescreve protocolos e não substitui acompanhamento profissional.
