Ilustração sobre fundo creme, em close: um lagarto de cerâmica azul-claro, estilizado e simpático, sobre uma mesa redonda creme

Insulina, ocitocina, glucagon, GLP-1, semaglutida, tirzepatida. Os exemplos de peptídeos mais fáceis de reconhecer são nomes que já circulam na conversa de todo mundo, e cada um deles tem uma história de origem que vale contar. Todos são peptídeos, cadeias curtas de aminoácidos, como explica o artigo sobre o que são peptídeos.

Insulina: o peptídeo que rendeu dois prêmios Nobel

A insulina saiu de um laboratório de Toronto em 1921. Frederick Banting e Charles Best trabalhavam no laboratório de John Macleod, e James Collip aperfeiçoou o extrato que eles obtinham. O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1923 foi para Banting e Macleod, "pela descoberta da insulina", nas palavras da Fundação Nobel; Best e Collip ficaram nomeados como colaboradores, e o nome "insulina" veio por sugestão de outro cientista.

O segundo prêmio veio pela leitura da molécula. Frederick Sanger recebeu o Nobel de Química de 1958 "por seu trabalho sobre a estrutura das proteínas, especialmente a da insulina". Ele determinou a ordem dos 51 aminoácidos das duas cadeias, uma de 21 e outra de 30, presas por duas pontes de enxofre, e mostrou em 1955 como elas se ligam. Foi a primeira proteína a ter a sequência inteira lida, letra por letra.

Ilustração de um homem de cabelo escuro e camisa azul, numa biblioteca clara, entre estantes creme, folheando um livro aberto de páginas em branco; alguns livros têm lombada azul, todos sem título. Luz da janela à esquerda.

Ocitocina: o primeiro hormônio peptídico feito em laboratório

Em 1953, Vincent du Vigneaud isolou a ocitocina, determinou a composição dela e conseguiu produzi-la por meios artificiais. Foi o primeiro hormônio peptídico a ter a sequência de aminoácidos determinada, e o Nobel de Química de 1955 foi dele, "especialmente pela primeira síntese de um hormônio polipeptídico", nas palavras da Fundação Nobel.

A molécula é uma cadeia que se fecha em anel num ponto, com dois átomos de enxofre no anel, e quem a apresentou na cerimônia do Nobel disse que ela lembra um algarismo seis ou nove. A conta feita ali é de oito aminoácidos, com o enxofre na cistina, o par de cisteínas unido pela ponte; contado esse par como dois, chega-se aos nove da classificação atual, que a chama de nonapeptídeo.

Glucagon: o peptídeo que apareceu enquanto se purificava a insulina

Em 1923, Kimball e Murlin estudavam formas de precipitar a insulina e descreveram, nos extratos de pâncreas, uma segunda substância que vinha junto com ela. Era o glucagon, e o editorial do centenário da insulina aponta aquele trabalho como o primeiro registro dele.

O glucagon é um peptídeo pancreático de 29 aminoácidos, derivado de um precursor maior, o proglucagon, que é também o precursor dos peptídeos semelhantes ao glucagon produzidos no intestino. É desse parentesco que o GLP-1 carrega "glucagon" no nome, e é por ele que o glucagon entra como o parente mais velho da história a seguir.

GLP-1: o peptídeo batizado em 1983 e premiado em 2024

Em 1983, Graeme Bell e colegas publicaram a estrutura do preproglucagon do hamster, um precursor de 180 aminoácidos que contém a sequência do glucagon e a de dois polipeptídeos semelhantes a ele. O primeiro ganhou o nome de glucagon-like peptide-1, o GLP-1.

Quatro décadas depois, o Prêmio Lasker-DeBakey de Pesquisa Clínica de 2024 foi para Joel Habener, Svetlana Mojsov e Lotte Bjerre Knudsen, pela descoberta e pelo desenvolvimento dos medicamentos baseados no GLP-1. A história inteira, ano a ano, está no artigo sobre a história do GLP-1.

Exendina-4: um peptídeo do veneno do monstro-de-gila

Nem todo peptídeo famoso vem do corpo humano. Em 1992, John Eng e colegas isolaram do veneno do Heloderma suspectum, o lagarto conhecido como monstro-de-gila, um peptídeo de 39 aminoácidos, batizado de exendina-4. O resumo publicado na época a descreve como análoga da exendina-3, membro da superfamília do glucagon, a mesma família de onde vem o GLP-1. Sob o nome de exenatida, essa molécula se tornou o primeiro agonista do receptor de GLP-1 a virar medicamento, com aprovação nos Estados Unidos em 2005. É por isso que um lagarto do deserto aparece em toda conversa sobre a origem das canetas.

Ilustração abstrata sobre fundo creme: seis fios de contas azuis e azul-claras, de comprimentos diferentes, empilhados como linhas de um gráfico; um deles fechado num pequeno anel. Sem número nenhum.

Liraglutida, semaglutida e tirzepatida: os peptídeos das canetas emagrecedoras

As moléculas das canetas emagrecedoras são peptídeos desenhados a partir de hormônios do corpo: a liraglutida e a semaglutida a partir do GLP-1 desta galeria, a tirzepatida a partir do GIP, hormônio irmão dele.

  • Liraglutida. Em 2000, Knudsen e colegas descreveram uma série de derivados do GLP-1 com um ácido graxo acoplado à cadeia. A liraglutida saiu dessa série.

  • Semaglutida. Em 2015, Lau e colegas contaram como ela foi selecionada: um análogo de GLP-1 com duas trocas de aminoácido em relação ao hormônio humano e uma modificação na posição 26. É a molécula do Ozempic e do Wegovy.

  • Tirzepatida. A molécula do Mounjaro parte do GIP e age nos receptores de GIP e de GLP-1.

Do glossário ao registro dos peptídeos da rotina

Quem usa um desses peptídeos costuma querer o próprio histórico organizado. No PepControl o cadastro é livre: você registra pelo nome que usa, seja o da molécula ou o da caixa, com uma cor para reconhecer de longe, e cada aplicação vira um ponto numa das cinco zonas do mapa do corpo, barriga, dois braços e duas coxas. O histórico sai em PDF quando for preciso. O PepControl organiza o que você registra; quem decide o uso é você. Conheça o PepControl.

Perguntas frequentes

Quais são exemplos de peptídeos?

Insulina, ocitocina, glucagon e GLP-1 são hormônios peptídicos do corpo humano. A exendina-4 é um peptídeo de veneno de lagarto, e liraglutida, semaglutida e tirzepatida são peptídeos desenhados em laboratório a partir de hormônios.

A insulina é um peptídeo?

Sim, e ela fica bem na divisa. O MeSH a arquiva entre os hormônios peptídicos, com 51 aminoácidos em duas cadeias ligadas por duas pontes de enxofre, e os discursos do Nobel a chamam de proteína. Sanger recebeu o Nobel de Química de 1958 por decifrar essa estrutura.

Qual foi o primeiro peptídeo sintetizado em laboratório?

Depende do que se conta. Cadeias curtas de aminoácidos já eram montadas em laboratório no começo do século XX, por Emil Fischer, e o discurso do Nobel de 1958 lembra isso. O primeiro hormônio peptídico sintetizado foi a ocitocina: Vincent du Vigneaud recebeu o Nobel de Química de 1955 "especialmente pela primeira síntese de um hormônio polipeptídico", nas palavras da Fundação Nobel.

Semaglutida e tirzepatida são peptídeos?

Sim. A semaglutida é um análogo de GLP-1, com duas trocas de aminoácido em relação ao hormônio humano. A tirzepatida parte do GIP e age nos receptores de GIP e de GLP-1.

Peptídeo e proteína: qual é a diferença?

O tamanho da cadeia. O discurso do Nobel de 1955 chama de polipeptídeo a molécula feita de aminoácidos como uma proteína, só que muito menor; o artigo sobre o que são peptídeos, linkado na abertura, detalha essa fronteira.

Onde isso está escrito

  • Fundação Nobel: páginas oficiais dos prêmios de Fisiologia ou Medicina de 1923 e de Química de 1955 e 1958 (resumo, ficha do laureado e discurso de apresentação).

  • MeSH, vocabulário da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos: verbetes Peptides, Insulin, Oxytocin e Glucagon.

  • Attie e colegas, Journal of Biological Chemistry, 2021: editorial do centenário da insulina, que resume Kimball e Murlin, 1923.

  • Bell e colegas, Nature, 1983: o preproglucagon do hamster e o nome GLP-1.

  • Eng e colegas, Journal of Biological Chemistry, 1992: a exendina-4 do veneno do Heloderma suspectum.

  • Knudsen e colegas, Journal of Medicinal Chemistry, 2000: derivados do GLP-1 com ácido graxo.

  • Lau e colegas, Journal of Medicinal Chemistry, 2015: a seleção da semaglutida.

  • Fundação Lasker: o Prêmio Lasker-DeBakey de Pesquisa Clínica de 2024.

  • Drugs@FDA: aprovação da exenatida (Byetta) em 2005; bula da exenatida no DailyMed; bula do Mounjaro (tirzepatida) no Bulário Eletrônico da ANVISA.

O PepControl é uma ferramenta de organização pessoal. Não é serviço médico, não recomenda doses, não prescreve protocolos e não substitui acompanhamento profissional.

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João, criador do PepControl

Sobre o Autor

João, criador do PepControl

Criei o PepControl para resolver o meu próprio problema de controle: eu usava peptídeos e vivia perdendo a conta de onde tinha aplicado e de quanto restava no vial. Aqui escrevo sobre a parte prática dessa rotina, não sobre o que você deve fazer.

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