A grelina é um hormônio produzido pelo estômago e associado pelos pesquisadores ao sinal de fome, e é daí que vem o apelido de "hormônio da fome". O que mais chama atenção nela é o horário: o nível no sangue sobe antes das refeições e cai depois delas.
Onde a grelina é produzida, e quando ela sobe
No fundo do estômago
O endereço principal da grelina é o estômago, e dentro dele o fundo, a parte mais alta do órgão. Ali ficam as glândulas oxínticas, as do ácido do estômago, presentes também no corpo do órgão. Dentro dessas glândulas, a grelina sai de um tipo de célula que a revisão sobre a grelina publicada na revista Molecular Metabolism em 2015 chama de X/A-like.
Essas células têm uma geografia curiosa. Um número expressivo delas fica encostado na luz do estômago, o espaço por onde passa o alimento. Parte da fábrica do sinal fica, assim, de frente para o caminho da comida.
O relógio da refeição
Em 2001, um grupo liderado por David Cummings publicou na revista Diabetes o estudo que virou referência sobre o horário da grelina. Dez pessoas saudáveis receberam as refeições em horário fixo e tiveram o sangue coletado 38 vezes ao longo de 24 horas. A grelina subiu antes de cada refeição e caiu na primeira hora depois de comer, e o desenho se repetiu ao longo do dia.
O estudo foi pequeno, com dez pessoas, e chegou para testar uma ideia que já circulava. Experimentos com roedores sugeriam que a grelina participava do começo da refeição, e o trabalho de 2001 foi um primeiro passo para verificar isso em humanos. O padrão que ele encontrou reforçou o modelo da grelina como sinal de começo de refeição.
O sinal tem para onde ir. O receptor da grelina fica no hipotálamo, uma região pequena na base do cérebro, em neurônios que regulam a ingestão de alimento e a saciedade.

Grelina e GLP-1: o estômago antes, o intestino depois
A grelina e o GLP-1 são dois hormônios do próprio corpo, e cada um sai de um ponto diferente do tubo digestivo.
Grelina: produzida no fundo do estômago. O nível sobe antes da refeição e cai depois dela.
GLP-1: produzido principalmente pelas células L do intestino. O catálogo MeSH, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, lista entre as ações dele aumentar a liberação de insulina que depende da glicose, frear a liberação de glucagon, baixar a glicose do sangue e reduzir a ingestão de alimento.
Postos lado a lado, os dois ficam em trechos seguidos do mesmo caminho: um hormônio do estômago, associado à hora de começar a refeição, e um do intestino, o trecho seguinte. O esquema ajuda a guardar a ordem. A pesquisa sobre a grelina, por sua vez, descreve para ela um papel mais amplo que o apelido de hormônio da fome, com ações também no próprio tubo digestivo.
Quem pesquisa "hormônio da fome" às vezes esbarra também no glucagon. Ele tem outra função: subir o açúcar do sangue, no sentido oposto ao da insulina. A razão de o GLP-1 carregar esse nome está em por que o GLP-1 tem glucagon no nome.

Um peptídeo com um ácido graxo preso
A grelina foi descrita em 1999, história contada junto com a origem do nome em hormônio da saciedade: leptina ou GLP-1.
Quimicamente, ela é um peptídeo: uma corrente de 28 aminoácidos. O detalhe raro está no terceiro elo dessa corrente, uma serina, onde fica preso um ácido graxo, de preferência de 8 ou 10 carbonos. A revisão de 2015 registra que a grelina precisa dessa peça para ativar o único receptor conhecido dela. Quem prende o ácido graxo é uma enzima própria, batizada de GOAT, sigla em inglês de O-aciltransferase da grelina.
Um ácido graxo preso a um peptídeo aparece também na semaglutida, com outro trabalho. Na grelina, ele é o que permite ativar o receptor. Na semaglutida, ele foi acrescentado para a molécula durar mais no corpo, recurso de engenharia contado em a história do GLP-1.
Perguntas frequentes
Onde a grelina é produzida?
Principalmente no estômago, nas glândulas oxínticas do fundo gástrico, a parte mais alta do órgão. São as mesmas glândulas ligadas à produção do ácido do estômago.
Qual célula produz a grelina?
Células que a revisão sobre a grelina publicada na Molecular Metabolism em 2015 chama de X/A-like, dentro das glândulas oxínticas. Um número expressivo delas fica encostado na luz do estômago, o espaço por onde passa o alimento.
Quando a grelina é liberada?
O nível no sangue sobe antes das refeições e cai depois delas. O padrão foi descrito por Cummings e colegas em 2001, num estudo com dez pessoas saudáveis e refeições em horário fixo.
Onde a grelina atua?
O papel mais conhecido passa pelo cérebro: o receptor dela fica em neurônios do hipotálamo ligados à ingestão de alimento e à saciedade. Ela também age no próprio tubo digestivo, no movimento do intestino e na secreção de ácido do estômago.
Qual a diferença entre grelina e leptina?
A primeira diferença é a origem. A grelina sai do estômago e acompanha o horário das refeições, com o nível subindo antes de comer. A leptina vem principalmente de fora do tubo digestivo, e é a ela que muita gente associa o apelido de "hormônio da saciedade". As duas costumam aparecer juntas na conversa sobre fome e saciedade.
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Onde isso está escrito
Cummings DE e colegas. A preprandial rise in plasma ghrelin levels suggests a role in meal initiation in humans. Diabetes, 2001, volume 50, número 8.
Müller TD e colegas. Ghrelin. Molecular Metabolism, 2015, volume 4, número 6.
Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, catálogo MeSH, verbete Glucagon-Like Peptide 1, consultado em 22/09/2026.
O PepControl é uma ferramenta de organização pessoal. Não é serviço médico, não recomenda doses, não prescreve protocolos e não substitui acompanhamento profissional.
